História
Do grupo de estudos de 2014 ao programa de extensão que o Diverso UFMG é hoje.
Momentos do Diverso UFMG ao longo dos anos.
Origem
As atividades do Diverso UFMG tiveram início em 2014, com a criação pelo Professor Marcelo Maciel Ramos do grupo de estudos Sexismo e Homofobia: a discriminação e o perverso silêncio do Direito — mais tarde rebatizado de Gênero, Sexualidade e Direito. O objetivo era abrir, dentro do campo jurídico e da Faculdade de Direito da UFMG, um espaço para discutir a sujeição e a discriminação de mulheres e pessoas LGBT+, o que, na época, era uma prática quase inexistente no ensino jurídico nacional.
Ainda em 2014, o Coletivo Gisbertas — grupo auto-organizado de estudantes da Faculdade de Direito — idealizou e organizou o I Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero, com a supervisão institucional do Professor Marcelo Maciel Ramos. A edição estabeleceu fissuras definitivas em alguns dos pilares mais tradicionais daquele espaço e impactou profundamente o próprio processo de formação do Diverso UFMG.
No segundo semestre do mesmo ano, o Diverso UFMG foi formalizado como projeto de extensão da Faculdade de Direito da UFMG sob o título Direitos e Diversidades, tendo sido mais tarde rebatizado com o nome atual.
Programa de Extensão
Com a ampliação das atividades e da equipe, o Diverso se organizou como Programa de Extensão Universitária — a forma institucional que mantém até hoje. Nesse ano também foi publicado o primeiro livro coletivo do programa: Gênero, Sexualidade e Direito: uma Introdução (Ramos, Brener, Nicoli, 2016).
O II Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero (12–15 de outubro) foi a primeira edição internacional do evento, reunindo pesquisadoras, ativistas e artistas de diversas partes do Brasil e do exterior.
Ainda em 2016, o Diverso UFMG realizou a primeira pesquisa de levantamento de dados de violências motivadas pela orientação sexual e a identidade de gênero, durante a Parada do Orgulho LGBT+ de Belo Horizonte, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos do Governo de Minas Gerais (SEDPAC), o CELLOS e a ONU. O questionário estruturado com abordagem randômica coletou dados sobre identidade, saúde, trabalho, percepção política, violências sofridas e sentimento de acolhimento e segurança da população que frequenta a Parada. Foi essa iniciativa que deu origem, alguns anos depois, ao Projeto Observatório de Violência contra Pessoas LGBTQIA+, que já coletou dados através de mais de 4000 mil entrevistas estruturadas e semiestruturadas na Grande BH.
Expansão das publicações
A partir dos trabalhos apresentados no II Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero (2016), foram publicados quatro livros virtuais de acesso gratuito, ampliando a plataforma de divulgação da produção brasileira em Gênero, Sexualidade e Direito. A pesquisa da Parada do Orgulho LGBT+ de BH foi realizada pela segunda vez.
III Congresso em Ouro Preto
O III Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero (30 de outubro a 3 de novembro) extrapolou os muros da UFMG, tendo sido realizado na Cidade de Ouro Preto, em uma parceria conjunta do Diverso UFMG (com a coordenação dos Professores Marcelo Ramos e Pedro Nicoli) e da Universidade Federal de Ouro Preto (com a coordenação dos Professores Alexandre Bahia e Flávia Máximo), sediada na UFOP. A pesquisa da Parada foi realizada pelo terceiro ano consecutivo, acumulando 1200 entrevistas sobre violência LGBTfóbica.
Longeviver e novos livros
O Diverso UFMG deu início ao projeto Longeviver: Diagnóstico do Envelhecimento LGBT+ em Belo Horizonte, em parceria com a Coordenadoria de Direitos da População LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto investigaria o processo de envelhecimento de pessoas LGBT+ na cidade, suas relações com os espaços urbanos e com as instituições de longa permanência. A pesquisa da Parada aconteceu pela quarta vez. Cinco livros coletivos foram publicados a partir dos trabalhos do III Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero de 2018.
Retomada pós-pandemia
Com a interrupção imposta pela pandemia de Covid-19, o Congresso e a pesquisa da Parada tiveram um hiato de dois anos. Mesmo com os impactos do isolamento social, entre junho de 2021 e setembro de 2022, o Diverso UFMG, através do Projeto Longeviver LGBT+, promoveu a aplicação de 114 questionários online e 75 entrevistas de história de vida, produzindo um amplo diagnóstico sobre o envelhecimento LGBT+ e sobre as especificidades das violências LGBTfóbicas vividas na velhice.
O IV Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero (15–18 de junho de 2022) foi retomado na Faculdade de Direito da UFMG. O Observatório de Violências contra pessoas LGBT+ passou por um intenso processo de aprimoramento de suas metodologias e estratégias de coleta de dados, promovendo a aplicação online de mais de 500 questionários estruturados e cerca de 90 entrevistas de história de vida, além das 400 entrevistas presenciais na Parada do Orgulho LGBT+ de BH.
Resultados do Longeviver LGBT+
Foi publicado o livro Envelhecer LGBT+: Histórias de Vida e Direitos (Nicoli, Ramos, Silveira, Veloso et al., 2023), principal resultado do projeto Longeviver LGBT+, reunindo análises dos dados coletados na pesquisa. Além disso foram publicados três livros do IV Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero, disponibilizados para download gratuito.
Nova fase do envelhecimento e da Parada
O Longeviver entrou em uma nova fase como projeto Direito ao Envelhecimento LGBT+ (2024–2027), voltado à análise do amplo volume de dados reunido e a novas ações de engajamento. O Observatório realizou a pesquisa da 25ª Parada do Orgulho LGBT+ de BH e publicou o relatório Um retrato da população LGBTI+: perfil, percepções e violência (2016–2024).
V Congresso de Diversidade
Foi realizado o V Congresso de Diversidade Sexual e de Gênero de 30 de abril a 2 de maio, na Faculdade de Direito da UFMG, que marcou a retomada das atividades presenciais do Diverso UFMG e do maior evento acadêmico em Gênero, Sexualidade e Direito do país.
Empregabilidade LGBTI+
O Diverso UFMG lançou seu projeto mais recente, o Empregabilidade LGBTI+: capacitar para incluir (2026–2030), voltado ao fortalecimento crítico e profissional de pessoas LGBTI+ e à sensibilização de empregadores diante da LGBTfobia estrutural no mundo do trabalho, com financiamento da Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região (Ministério Público do Trabalho).

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