Observatório de Violências contra Pessoas LGBT+
Levantamento e sistematização de dados sobre violências motivadas por LGBTfobia na região metropolitana de Belo Horizonte.
Objetivos
O Observatório coleta e sistematiza dados sobre as violências sofridas por pessoas LGBT+ em Belo Horizonte e na região metropolitana, diante da ausência de estatísticas oficiais sistemáticas sobre a violência LGBTfóbica. O objetivo é produzir informação empírica que subsidie políticas públicas de proteção à diversidade sexual e de gênero.
O projeto foi criado em dezembro de 2019. Trabalha em dois eixos: a sistematização de dados primários e secundários sobre as diferentes modalidades de violência e a organização de eventos e debates públicos que reúnem pesquisadores, ativistas, agentes políticos e a comunidade LGBT+ para examinar esses dados e discutir ações políticas e legislativas.
Atividades
Pesquisa da Parada do Orgulho LGBT+ de BH
Desde 2016, o Observatório de Violências contra pessoas LGBT+ pesquisa o perfil e as vivências da população LGBT+ durante as Paradas do Orgulho de Belo Horizonte, com pelo menos 400 entrevistas presenciais a cada edição. A pesquisa nasceu de parcerias com o poder público e com a sociedade civil, entre elas a antiga Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (SEDPAC MG), a Organização das Nações Unidas (ONU) através do Projeto Livres e Iguais e o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS MG), e conta com o apoio da Diretoria de Políticas para a População LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte e da Belotur. Cada edição gera um relatório. Os dados já compõem uma série histórica que acumula quase 4000 entrevistas, um dos bancos de dados sobre violência LGBTfóbica mais robustos do país e do mundo.
Survey online e entrevistas em profundidade
Entre 2021 e 2022, a pesquisa ampliou o alcance com um questionário online autoaplicável, respondido por mais de 500 pessoas LGBT+ de Belo Horizonte e da região metropolitana. O survey traçou o perfil socioeconômico e a prevalência de violências físicas, sexuais e psicológicas em espaços públicos e privados, além de discriminações no trabalho e no acesso à moradia, à saúde e à segurança pública.
A partir desses dados, uma segunda fase qualitativa realizou 78 entrevistas semiestruturadas, analisadas em profundidade, e organizadas em eixos como família, educação, religião, trabalho, relações afetivo-sexuais, acesso à cidade, saúde, segurança pública e militância. Os resultados foram reunidos em dois relatórios, publicados em 2023.
Financiamento e parcerias
O Observatório de Violências contra pessoas LGBT+ foi financiado por emendas parlamentares do deputado federal Patrus Ananias e pelo Fundo de Direitos Humanos dos Países Baixos, por meio da Embaixada do Reino dos Países Baixos. Contou, ao longo dos anos, com a parceria da SEDPAC MG (antiga Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais), do CELLOS MG (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais), da Diretoria de Políticas para a População LGBT da Prefeitura de Belo Horizonte, da Belotur e do vereador Pedro Patrus.
Destaque
Série Histórica de Dados de Violência contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de Belo Horizonte
A série histórica de dados sobre violências e discriminações motivadas por LGBTfobia em Belo Horizonte e Região Metropolitana entre 2016 e 2025 consolida os resultados de oito coletas realizadas pelo Diverso UFMG durante as Paradas do Orgulho LGBT+ de Belo Horizonte, de 2016 a 2019 e, após a interrupção imposta pela pandemia de Covid-19, de 2022 a 2025. O documento mapeia, de forma sistematizada, os relatos de diferentes tipos de violência sofrida, a percepção de acolhimento e de segurança em espaços públicos e privados, o acionamento das autoridades policiais e as demandas políticas da população LGBT+ que ocupa, a cada ano, as ruas da cidade. Os dados foram coletados por meio de entrevistas estruturadas, feitas presencialmente, por interceptação aleatória, durante cada edição da Parada. Ao longo da década, foram 3.258 entrevistas realizadas. A amostra analítica deste relatório considerou os dados de 2.614 respondentes.
Em breveA série histórica em números
Síntese dos dados consolidados das oito coletas, de 2016 a 2025.
Sofreram violência por orientação sexual ou identidade de gênero
- 45,4% das pessoas LGB+ cisgêneras
- 57,9% das pessoas não binárias
- 65,6% das pessoas trans
Acolhimento por espaço
Percentual que se sentiu acolhido ou muito acolhido em cada espaço. O acolhimento é desigual e despenca diante do Estado, que tem os piores índices para os três grupos.
Sensação de segurança
Notas médias de 0 (nada seguro) a 10 (muito seguro). A Parada é o espaço mais seguro, com a maior nota vinda das pessoas trans; no cotidiano, a segurança cai para todos.
Principais demandas por grupo
Necessidade apontada como mais urgente. As agendas se descolam: a segurança domina entre as pessoas LGB+ e não binárias, enquanto a saúde ganha peso entre as pessoas trans.
Principais achados
A violência LGBTfóbica é massiva e não cedeu em uma década: recuou nos anos seguintes à pandemia, mas voltou a subir, conforme os dados da série histórica. Há um gradiente de vitimização, que distingue os subgrupos da sigla, com as pessoas trans uma maior incidência de violência do que pessoas não binárias e as pessoas LGB+ cisgêneras, violência que se acentua conforme cresce a gravidade da agressão. O Estado falha antes e depois da denúncia: a maioria das vítimas não aciona a polícia e, entre quem aciona, menos da metade tem a demanda atendida.
Relatórios para download
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2025
Um retrato da população LGBTI+
Perfil, percepções e violência (2016 – 2024)
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2024
Dados de Violência contra Pessoas LGBT+
Survey Online - 484 entrevistas válidas (2021 e 2022)
Relatos de violência contra pessoas LGBT+
Entrevistas de história de vida - 78 entrevistas válidas (2021 e 2022)
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2022
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2019
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2018
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2017
Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Pesquisa da Parada do Orgulho de BH de 2016
Banco de Dados de Violências contra Pessoas LGBT+
Compilado das coletas da Pesquisa da Parada 2016 – 2025
Rede de apoio
Se você sofreu ou presenciou violência por orientação sexual ou identidade de gênero, estes são canais de denúncia, acolhimento e apoio em Belo Horizonte e em Minas Gerais.
Canais federais
Recebe denúncias de violência contra a população LGBT+. O cadastro pode ser feito pelo aplicativo MPF Serviços, para computador e celular.
Recebe e encaminha denúncias, anônimas ou não, de violações de direitos humanos.
- Telefone Disque 100
Recebe denúncias de violência contra a população LGBT+.
- Telefone Disque Saúde 136
Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Procure um estabelecimento de saúde e solicite a notificação. As informações são mantidas em sigilo pelos profissionais de saúde.
Canais estaduais (Minas Gerais)
Recebe denúncias de violência e reclamações sobre a rede de atendimento à mulher, inclusive mulheres lésbicas, trans e travestis.
- Telefone Disque 180
- Endereço Av. Barbacena, 288, 3º andar – Barro Preto, Belo Horizonte
- Telefone (31) 3330-5780
Atende demandas que envolvam violação ou ameaça de violação a direitos humanos.
- Endereço R. Dias Adorno, 367, 6º andar – Santo Agostinho, Belo Horizonte
- Telefone (31) 3330-8394
Atende demandas que envolvam ameaça ou violação de direitos humanos.
- Endereço Rua dos Timbiras, 2.928, 5º andar – Belo Horizonte
- Telefone (31) 3295-2009
- E-mail dhumanos@mpmg.mp.br
- Endereço Av. Amazonas, 558, 3º andar – Centro, Belo Horizonte, 30180-001
- Telefone (31) 3270-3200 / (31) 3270-3280
- E-mail conedh@social.mg.gov.br
Órgãos municipais (Belo Horizonte)
Unidade pioneira em Minas Gerais e na Região Sudeste, criada em 2011. Acompanha a ocorrência policial relacionada à identidade de gênero e à orientação sexual.
- Endereço R. Bernardo Guimarães, 1571 – Funcionários, Belo Horizonte
- Telefone (31) 3330-5707
Atendimentos psicossociais, apoio a vítimas de preconceito e violência, grupos de apoio, saúde integral, cultura e lazer.
- Endereço R. Curitiba, 481 – Centro, Belo Horizonte, 30170-120
- Telefone (31) 3277-4128 / (31) 3277-4227
- E-mail crlgbtbh@pbh.gov.br
- Endereço Av. Afonso Pena, 342 – Sobreloja, Centro, Belo Horizonte
- Telefone (31) 3277-4848 / (31) 3277-4424
- E-mail dlgbt@pbh.gov.br
Desenvolve políticas públicas de promoção e garantia de direitos humanos.
- Endereço Av. Afonso Pena, 342 – Centro, Belo Horizonte
- Telefone (31) 3277-9997
Organizações da sociedade civil
Presta assistência jurídica e psicossocial a pessoas trans e travestis.
- Endereço Av. João Pinheiro, 100, 7º andar – Centro, Belo Horizonte/MG, 30130-180
- Telefone (31) 3409-8667
- E-mail clinicadhufmg@gmail.com
ONG fundada pela ativista e professora Duda Salabert. Oferece cursos pré-Enem, idiomas, EJA, teatro e defesa pessoal para pessoas trans, travestis e transexuais.
- Endereço Edifício Arcângelo Maletta – R. da Bahia, 1148 – Centro, Belo Horizonte
- E-mail contato@transvest.org
Apoio psicológico
Atendimento psiquiátrico e psicológico gratuito mediante estudo socioeconômico.
- Telefone (31) 3115-2640 / (31) 3115-2641